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Era uma vez uma grande e linda pedra
que havia sido polida pela água.
Depois que a água se foi,
a pedra ficou num local bastante elevado,
à beira de um bosque sombreado.
De onde estava, rodeada por flores
coloridas e ervas perfumadas,
ela podia ver uma estrada de pedra
que passava mais abaixo.
Um dia, olhando para a estrada
sobre a qual haviam colocado diversas
pedrinhas para reforçar a superfície,
a pedra grande sentiu um enorme
desejo de estar lá embaixo,
junto às outras.
- Que estou eu fazendo aqui entre as flores?
Quero viver com minhas irmãs.
Acho que é um direito meu.
Assim dizendo, moveu-se e rolou para baixo,
terminando seu caprichoso percurso
exatamente no meio das pedrinhas
cuja companhia tanto almejava.
Na estrada passava carretas com rodas de ferro,
cavalos que pisavam com força,
camponeses de botas ferradas, rebanhos
e manadas de animais.
A bela pedra logo viu-se maltratada.
Alguns faziam-na rolar,
outros batiam-na com os pés,
outros ainda chutavam-na para mais adiante.
Às vezes via-se toda suja de lama.
Olhando para o lugar de onde viera,
a pedra suspirou pela perda de sua solidão e teve,
em vão, saudades da paz que outrora conhecera.
Moral da Estória:
Esta fábula é dedicada àqueles que estupidamente
saem da paz e do silêncio do verde campo para
irem para a cidade, encontrando pessoas de
maldade sem limites.

Leonardo Da Vinci |