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Existe uma porta dentro de mim
Que há anos estava trancada,
Uma estrada que há muito ninguém passava
E um riacho que cada vez mais secava.
A porta se abriu,
Eu caminhei na estrada e me banhei no riacho
Que agora está cheio de água.
Quem sabe se eu não tivesse encontrado
A chave dessa porta,
Se não tivesse atravessado a estrada
E me banhado no riacho,
Meu coração adolescente estivesse mais contente.
Talvez se essa porta nunca tivesse se aberto
Eu ficasse sempre a imaginar
Como se faria pra atravessar pro lado de lá.
Talvez se eu nunca encontrasse a tal estrada,
Não me cansasse na caminhada.
Talvez se o riacho não se enchesse de água
Eu não tivesse como me banhar
E parasse somente pra observar.
Agora não encontro mais a chave
pra trancar a porta,
Não sei mais na estrada
qual é o caminho de volta
E o riacho só tende a transbordar.
Não sei mais o que faço,
Se atravesso de vez essa porta,
Se me embrenho na estrada,
Ou se me afogo no riacho cheio de água.
Silvana Duboc |