A Porta, a Estrada e o Riacho

Existe uma porta dentro de mim
Que há anos estava trancada,

Uma estrada que há muito ninguém passava
E um riacho que cada vez mais secava.

A porta se abriu,
Eu caminhei na estrada e me banhei no riacho

Que agora está cheio de água.

Quem sabe se eu não tivesse encontrado
A chave dessa porta,

Se não tivesse atravessado a estrada
E me banhado no riacho,

Meu coração adolescente estivesse mais contente.

Talvez se essa porta nunca tivesse se aberto
Eu ficasse sempre a imaginar

Como se faria pra atravessar pro lado de lá.

Talvez se eu nunca encontrasse a tal estrada,
Não me cansasse na caminhada.

Talvez se o riacho não se enchesse de água
Eu não tivesse como me banhar

E parasse somente pra observar.

Agora não encontro mais a chave
pra trancar a porta,
Não sei mais na estrada
qual é o caminho de volta

E o riacho só tende a transbordar.

Não sei mais o que faço,
Se atravesso de vez essa porta,

Se me embrenho na estrada,
Ou se me afogo no riacho cheio de água.

Silvana Duboc

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Seresteiro da Lua - WebDesigner Julio Cesar
Página Editada Em 04/Julho/2004
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